Por Maria Dalva Vieira
Há uma expressão que repetimos quase
automaticamente quando alguém faz aniversário: “Parabéns! Mais um ano de
vida!”. Mas você já parou para pensar no que a gente está realmente dizendo?
Se a gente olhar para o tempo que nos
foi dado aqui, talvez fizesse mais sentido pensar que estamos, na verdade, com
menos um ano de estadia neste mundo.
No fim das contas, cada nova primavera marca
mais uma fase que passou, mas também o encerramento de mais um ciclo do tempo
que temos para caminhar por aqui.
Essa reflexão pode parecer um pouco
pesada de início, mas garanto que não precisa ser assim. Pelo contrário, ela
nos chama a abraçar a vida com muito mais profundidade, consciência e gratidão
no coração.
O calendário apenas marca os dias que já
se foram, mas ele não tem como nos dizer quanto tempo ainda temos pela frente.
Afinal, a gente nunca sabe quantos aniversários mais vai comemorar, quantos
abraços ainda vai dar, nem quantas chances teremos de pedir perdão ou de
reparar um erro.
O aniversário não deveria ser apenas a
celebração da idade que alcançamos, mas também uma oportunidade de avaliar o
que fizemos com o tempo que recebemos.
De que adianta somar anos à idade se não
acrescentamos humanidade à nossa existência? De que vale celebrar a longevidade
se permanecemos presos ao ressentimento, à indiferença, à vaidade e à
incapacidade de reconhecer a beleza das coisas simples?
Viver não é apenas permanecer
respirando. Viver é construir vínculos, cultivar afetos, compartilhar
conhecimentos, estender as mãos, aprender com as perdas e deixar marcas de amor
por onde passamos.
Por isso, em vez de temer a passagem dos
anos, precisamos aprender a respeitá-la. A idade que chega traz consigo
experiências, cicatrizes, memórias, amadurecimento e, quando sabemos acolhê-la,
uma compreensão mais profunda da existência.
Se estamos, de fato, vivendo menos um
ano neste plano terreno, que esse pensamento não nos roube a alegria de
celebrar. Que nos desperte, antes, para a responsabilidade de viver melhor.
A vida é breve. Que a nossa passagem por
este mundo seja longa em amor, generosidade e boas lembranças.

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