Dalva Vieira (Cadeira 07 da ALAM)
Abril se despede como se encerrasse uma conversa agradável no crepúsculo - com um último gole de café, um sorriso um pouco cansado, mas satisfeito. Foi um mês cheio de expectativa: as cores do outono começando a colorir as árvores, os compromissos que imaginávamos que poderíamos cumprir, os dias escapando entre os ponteiros do relógio e a brisa. Em tempos incertos choveu, risos vieram do nada e um pequeno silêncio que também carregava significado. Abril tem sempre esse sentido de transição, um portal entreaberto que quase nos incentiva a acreditar: “vai, ainda é possível recomeçar”.
E agora maio chega com sua calma de quem não tem pressa. Traz o perfume das manhãs mais frias, um convite para parar e pensar. Maio é um mês para respirar, para organizar os sentimentos depois da correria. É então que o tempo parece aprender a passar mais devagar, permitindo-nos perceber as folhas que caem e as promessas que nos podem esperar.
Que abril libere o que era pesado — e que maio traga aquilo que faz florescer. Porque quando pensamos bem, todo final é na verdade um novo começo disfarçado de adeus.
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